Fortunas globais diversificam e focam na IA

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Fortunas globais diversificam e focam na IA

Os family offices estão a passar por uma reconfiguração estratégica, sendo que 60% deles planeia alterar a sua alocação de ativos nos próximos 12 meses, segundo um relatório do UBS. Esta mudança é especialmente notável entre os family offices europeus, onde 67% preveem ajustes. A confiança no dólar americano está em declínio, e a inteligência artificial (IA) emerge como um foco central nas novas estratégias de investimento.

A Evolução das Estratégias de Investimento

O relatório, intitulado "Global Family Office Report 2026", revela que as grandes fortunas familiares estão a fazer ajustes cuidadosos nas suas carteiras, em vez de cortes drásticos, com o objetivo de mitigar riscos. As ações e obrigações de mercados desenvolvidos continuam a ser predominantes, compondo 41% das alocações, mas há uma tendência crescente em direção a mercados emergentes e ativos alternativos.

Mudanças Regionais

Em termos de localização, a Europa (excluindo a Suíça) destaca-se como uma região onde 67% dos family offices planeiam mudanças na alocação de ativos. Enquanto nos Estados Unidos a maioria das carteiras se concentra em ativos domésticos, com 88% em investimentos norte-americanos, os family offices europeus estão a tentar reduzir essa dependência, equilibrando-se entre a Europa Ocidental e a Ásia-Pacífico.

A Desconfiança no Dólar Americano

Um ponto crucial do relatório é a crescente desconfiança no dólar americano. 65% dos family offices acreditam que o papel do dólar como moeda de reserva mundial irá enfraquecer no próximo ano. Em resposta, muitos estão a diversificar as suas carteiras para incluir outras moedas, como o franco suíço e o euro, que estão a tornar-se cada vez mais populares.

A Aposta na Inteligência Artificial

Paralelamente à desconfiança em relação ao dólar, a inteligência artificial surge como o tema de investimento mais relevante da atualidade. 65% dos family offices investem em diferentes segmentos da cadeia de valor da IA, que inclui desde infraestruturas de centros de dados até software e semicondutores. A maioria planeia manter ou aumentar a sua exposição a este sector, mesmo com os receios de sobrevalorização.

Oportunidades de Investimento

Os family offices estão a explorar áreas relacionadas com a IA, como:

  • Energia e recursos (37%)
  • Infraestruturas (37%)
  • Saúde potenciada por IA (33%)
    Por outro lado, os criptoativos têm uma presença mais modesta, com apenas 24% a investirem, geralmente em pequenas proporções.

A Transferência de Riqueza e a Preparação para o Futuro

Apesar das mudanças nas carteiras, o relatório alerta para o risco na transferência de riqueza entre gerações, que está estimada em 71 biliões de euros nas próximas décadas. Apenas 35% dos family offices têm um plano de sucessão definido, o que levanta preocupações sobre a gestão futura das fortunas. A falta de preparação dos herdeiros pode ser uma vulnerabilidade significativa, mesmo quando as famílias estão a reforçar a resiliência das suas carteiras contra incertezas externas.

Em suma, a adaptação às novas realidades do mercado é crucial. A inteligência artificial não é apenas um foco de investimento; é uma oportunidade que os family offices estão a explorar com cautela, ao mesmo tempo que enfrentam desafios internos significativos. As mudanças na alocação de ativos refletem um panorama financeiro em evolução, onde a diversificação e a inovação se tornam fundamentais.