A Inteligência Artificial (IA) está a provocar uma transformação nas empresas e nos seus modelos de negócio a uma velocidade sem precedentes. Neste contexto, a automação e a digitalização estão a demonstrar efeitos visíveis na empregabilidade, especialmente entre os jovens. A forma como as empresas gerem o capital humano e capacitam os seus profissionais será decisiva para maximizar os benefícios da IA. Este foi o foco central do evento "Beyond: Building what’s next", que teve lugar no dia 21 de maio, promovido pelo Doutor Finanças.
EFEITOS DA IA NO EMPREGO JOVEM
Durante uma palestra dedicada à IA, Paulo Dimas, CEO do Center for Responsible AI, destacou que esta tecnologia pode ser vista como uma "transformação à escala da revolução industrial, mas aplicada ao trabalho cognitivo". Ele alertou para os impactos da automação crescente em profissões qualificadas, especialmente nas áreas de informática e direito. A questão levantada foi: como se poderá preparar futuros profissionais nestas áreas se houver um desinvestimento na sua entrada no mercado de trabalho? Para ele, as organizações têm a responsabilidade de capacitar os trabalhadores para a utilização da IA, investindo na atualização de competências, requalificação e mobilidade interna.
RISCOS DO USO ÉTICO DA IA
Paulo Dimas também abordou a questão da ética no uso da IA, alertando para os riscos associados ao desalinhamento dos modelos de IA, que podem resultar na disponibilização de informações sensíveis ou perigosas. Citou exemplos de sistemas que rejeitam gerar conteúdos antivacinação, enquanto outros aceitam pedidos sem qualquer reserva. Ele enfatizou a importância de treinar os modelos de IA para evitar enviesamentos e discriminação na informação gerada e apresentada aos utilizadores.
O PAPEL DOS TRABALHADORES
A relação entre as organizações e os seus trabalhadores foi outro ponto em destaque no debate da mesa redonda "Where Innovation Stays Human", moderada por Paulo Zacarias Gomes, da Vodafone Portugal. José Rodrigues, Director of Technology da Devoteam, referiu que, à medida que as funções evoluem, muitos profissionais começam a questionar o seu propósito nas empresas, perguntando-se: "Qual é o meu lugar aqui?". Sem uma resposta clara, as organizações correm o risco de desmotivação e resistência à mudança. Portanto, é fundamental que as empresas se empenhem ativamente na formação dos seus colaboradores, investindo em capacitação e aceitação da mudança.
IA COMO SUPORTE À DECISÃO HUMANA
André Gavino, Technology & Product Managing Director do Doutor Finanças, também sublinhou que a tecnologia deve ser uma ferramenta de apoio à decisão humana, e não um substituto. Ele argumentou que a IA deve funcionar como um "co-piloto" do humano, ajudando a acelerar processos e a testar soluções, mas mantendo sempre o julgamento humano no centro do processo. Nuno Bastos, Senior Manager da Vodafone Portugal, reforçou a ideia de que, embora a tecnologia facilite a execução, a coordenação e a tomada de decisão são tarefas que devem permanecer nas mãos dos humanos.
DESAFIOS DE SEGURANÇA E GOVERNANÇA
A transformação digital atual também levanta novos desafios relacionados com segurança e governança. Nuno Bastos enfatizou que o impacto da IA vai muito além do ambiente empresarial, podendo ter consequências significativas na sociedade. Ele alertou para a falta de modelos de governança adequados para a IA e os riscos associados ao seu uso ético e seguro, considerando que estamos a operar numa "terra inexplorada". No que diz respeito à segurança digital, especialmente no setor financeiro, é vital garantir a confiabilidade dos sistemas.
TECNOLOGIA AO SERVIÇO DO NEGÓCIO
O evento "Beyond: Building what’s next" também apresentou casos práticos sobre como a tecnologia pode ser um motor para os negócios. Rubens Macegossa, Senior Solutions Architect na AWS, destacou a importância do design thinking como uma metodologia essencial para compreender problemas antes de implementar soluções tecnológicas. Ele defendeu que a IA deve ser considerada somente após a identificação das necessidades reais do negócio. João Saleiro, Chief Technology & Product Officer do Doutor Finanças, também compartilhou como diferentes momentos de desenvolvimento tecnológico ajudaram a expandir o negócio sem comprometer os princípios fundamentais de credibilidade e proximidade com o cliente.