A Caixa Geral de Depósitos (CGD) alcançou um lucro de cerca de 400 milhões de euros no primeiro trimestre, o que representa um aumento de 1% em comparação com o mesmo período do ano anterior, demonstrando resistência face à diminuição das taxas de juro. Paulo Macedo, líder da instituição estatal, realçou que o banco está a celebrar 150 anos de existência num dos momentos mais favoráveis da sua trajetória, em termos de rentabilidade, solvabilidade, dinâmica e inovação.
Desempenho financeiro e impacto das taxas
Com a redução das taxas de juro, a margem financeira do banco recuou mais de 3%, totalizando 616 milhões de euros. Macedo indicou que os resultados futuros vão depender, em grande parte, da evolução das taxas de juro. "Esse será o fator mais determinante, desde que as outras condições permaneçam constantes. Não obstante, se não houver uma prolongação da guerra ou bloqueio no estreito, que poderiam afetar as empresas. Embora estas estejam sob pressão, têm cumprido os seus compromissos", afirmou. O dirigente mostrou-se otimista em relação aos resultados esperados para 2026.
Comissões e apoio aos clientes
As comissões da CGD subiram ligeiramente, com um aumento de 1% para 149 milhões de euros, sendo notável que o banco não ajustou as suas tarifas pelo quarto ano consecutivo. António Valente, administrador financeiro, destacou que os resultados do trimestre ainda não refletem os impactos das severas tempestades que atingiram diversas regiões do país no início do ano. O banco proporcionou apoio a mais de 1.000 clientes, tanto particulares como empresas, através de moratórias que totalizam 156 milhões de euros, o que representa cerca de 2% do conjunto elegível para esta medida, na sequência dos danos causados pelo mau tempo em fevereiro.
Crescimento do crédito e vendas
Em termos de crédito, a Caixa Geral de Depósitos disponibilizou quase 200 milhões de euros através de linhas do Banco Português de Fomento, abrangendo mais de 800 operações. Para os resultados trimestrais, contribuiu ainda a venda da sua participação de 59,81% no Banco Comercial do Atlântico, em Cabo Verde, a um grupo de Burkina Faso, a Coris Holding. Esta transação, que teve um impacto positivo de 18 milhões de euros, foi finalizada em janeiro e pôs fim a um processo que se arrastava por seis anos devido a imposições de Bruxelas relacionadas com o programa de recapitalização de 2017. Apesar desta venda, a CGD manterá a sua presença em Cabo Verde através do Banco Interatlântico.
Evolução do crédito à habitação
A carteira de crédito aumentou em 1,7 mil milhões de euros no trimestre. Comparando com março do ano anterior, o total de empréstimos cresceu 9%, alcançando 53,3 mil milhões de euros, mantendo uma quota de mercado superior a 18%, o que assegura a posição de liderança do banco público. O crédito à habitação subiu para 29 mil milhões de euros, registando um aumento de 10% em relação ao ano passado. Este desempenho é em parte devido à procura por parte de jovens beneficiados com garantias públicas. Desde o início desta medida, a Caixa já formalizou 9.600 operações num montante de 1,9 mil milhões de euros.
Qualidade da carteira e recursos
No que diz respeito à qualidade da carteira de empréstimos, a CGD menciona que o crédito malparado está abaixo de mil milhões de euros, resultando num rácio de NPL (crédito não produtivo) de 1,38%, o que é inferior à média nacional e europeia. Quanto aos recursos, estes ascendem a 104,3 milhões de euros, dos quais 79 mil milhões referem-se a depósitos. O administrador financeiro também sublinhou o efeito da guerra no Irão na desvalorização dos fundos de investimento dos clientes, embora tenha havido um crescimento nos recursos fora do balanço, totalizando 25,3 mil milhões de euros.
Dividendos e solvabilidade
Em fevereiro, a Caixa Geral de Depósitos anunciou o maior dividendo da história da banca portuguesa, no valor de 1,25 mil milhões de euros, após os resultados excepcionais do ano anterior. Embora este dividendo vá ser transferido para o Estado, Macedo enfatizou que tal pagamento não comprometerá os rácios de solvabilidade do banco, que continuarão a estar acima dos 21%. Desde a recapitalização, a CGD gerou 8,3 mil milhões de euros de capital, mais do dobro do que foi recebido pelo acionista em 2017, com 4,9 mil milhões retidos no banco e 3,4 mil milhões já pagos em dividendos.